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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Fedro 2

    1. A CIBERCULTURA E A METÁFORA DO IMPACTO

   O incrível avanço das tecnologias de informação e comunicação (TIC) fez surgir as interpretações mais diversas sobre a significação social e  cultural destas  novas  "máquinas de comunicar" (SCHAEFFER, 1972). Desde a "aldeia global" de  Mc Luhan nos anos de 1970, muitas metáforas vêm se sucedendo na tentativa de  representar ( construir uma  imagem mental) os  efeitos das  técnicas  eletrônicas de comunicação sobre  os modos de  produção e  reprodução da  vida social. Mc Luhan não apenas profetizou a  realidade virtual, muito antes de ele ter  sido inventada, com a  idéia de  "meios de comunicação como extensões dos sentidos humanso", como previu também grandes  mutações na educação (MC LUHAN, 1968 e LIMA, 1971).
   Ousado Mc Luhan buscou em platão uma metáfora explicativa  para a  grande resistência e a quase cegueira antitecnológica que  caracterizavam os  escritos acadêmicos da época sobre os meios de comunicação e a tecnologia  em geral. Esta  parábola, do texto Fedro, discute o impacto do ser humano e vem sendo retomada por  muitos  estudiosos para tentar explicar as  preocupações presentes nas  sociedades atuais com relação aos avanços da técnica em geral e das  TICs em particular (MC LUHAN, 1977a; POSTMAN, 1994 e PLATÃO, 1950) [2]
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[2] Não por acaso esta parábola tem sido tão retomada; a universalidade da  preocupação do homem com suas  criações lhe  confere um incrível poder premonitório: " [...] pois essa vossa descoberta criará o esquecimento na  alma dos estudantes, porque eles não se servirão da  memória; confiarão nos caracteres escritos e  exteriores e não se  lembrarão de  si  mesmos. O específico que descobristes  é  um auxiliar não  para  a memória, porém para  a reminiscência, e  vós dais a vossos discípulos não a  verdade, porém tão só a  aparência de verdade; eles serão ouviintes de  muitas  coisas e nada terão aprendido; darão a impressão de  ser  oniscientes e, em geral, nada  saberão; serão uma companhia fastidiosa com aparência de sabedoria, sem a sua realidade" (MC LUHAN, 1977a, p.49).

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