1. A CIBERCULTURA E A METÁFORA DO IMPACTO
O incrível avanço das tecnologias de informação e comunicação (TIC) fez surgir as interpretações mais diversas sobre a significação social e cultural destas novas "máquinas de comunicar" (SCHAEFFER, 1972). Desde a "aldeia global" de Mc Luhan nos anos de 1970, muitas metáforas vêm se sucedendo na tentativa de representar ( construir uma imagem mental) os efeitos das técnicas eletrônicas de comunicação sobre os modos de produção e reprodução da vida social. Mc Luhan não apenas profetizou a realidade virtual, muito antes de ele ter sido inventada, com a idéia de "meios de comunicação como extensões dos sentidos humanso", como previu também grandes mutações na educação (MC LUHAN, 1968 e LIMA, 1971).
Ousado Mc Luhan buscou em platão uma metáfora explicativa para a grande resistência e a quase cegueira antitecnológica que caracterizavam os escritos acadêmicos da época sobre os meios de comunicação e a tecnologia em geral. Esta parábola, do texto Fedro, discute o impacto do ser humano e vem sendo retomada por muitos estudiosos para tentar explicar as preocupações presentes nas sociedades atuais com relação aos avanços da técnica em geral e das TICs em particular (MC LUHAN, 1977a; POSTMAN, 1994 e PLATÃO, 1950) [2]
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[2] Não por acaso esta parábola tem sido tão retomada; a universalidade da preocupação do homem com suas criações lhe confere um incrível poder premonitório: " [...] pois essa vossa descoberta criará o esquecimento na alma dos estudantes, porque eles não se servirão da memória; confiarão nos caracteres escritos e exteriores e não se lembrarão de si mesmos. O específico que descobristes é um auxiliar não para a memória, porém para a reminiscência, e vós dais a vossos discípulos não a verdade, porém tão só a aparência de verdade; eles serão ouviintes de muitas coisas e nada terão aprendido; darão a impressão de ser oniscientes e, em geral, nada saberão; serão uma companhia fastidiosa com aparência de sabedoria, sem a sua realidade" (MC LUHAN, 1977a, p.49).
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