A caverna digital hoje é a nossa casa. Cercados por máquinas de alta tecnologia, vivenciamos um mundo significativo. Qual o sentido de vivermos na caverna digital?
Neste 'admirável mundo novo' poderíamos retrabalhar os sentidos dos termos e construir uma nova forma de tratar a espeleologia, conhecer o fundamento da caverna digital através da 'espelhologia'?
Qual seria a lógica das reflexões neste ambiente?
...
Amigo,
de onde vens e
para onde vais?
de onde vens e
para onde vais?
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Fedro 2
1. A CIBERCULTURA E A METÁFORA DO IMPACTO
O incrível avanço das tecnologias de informação e comunicação (TIC) fez surgir as interpretações mais diversas sobre a significação social e cultural destas novas "máquinas de comunicar" (SCHAEFFER, 1972). Desde a "aldeia global" de Mc Luhan nos anos de 1970, muitas metáforas vêm se sucedendo na tentativa de representar ( construir uma imagem mental) os efeitos das técnicas eletrônicas de comunicação sobre os modos de produção e reprodução da vida social. Mc Luhan não apenas profetizou a realidade virtual, muito antes de ele ter sido inventada, com a idéia de "meios de comunicação como extensões dos sentidos humanso", como previu também grandes mutações na educação (MC LUHAN, 1968 e LIMA, 1971).
Ousado Mc Luhan buscou em platão uma metáfora explicativa para a grande resistência e a quase cegueira antitecnológica que caracterizavam os escritos acadêmicos da época sobre os meios de comunicação e a tecnologia em geral. Esta parábola, do texto Fedro, discute o impacto do ser humano e vem sendo retomada por muitos estudiosos para tentar explicar as preocupações presentes nas sociedades atuais com relação aos avanços da técnica em geral e das TICs em particular (MC LUHAN, 1977a; POSTMAN, 1994 e PLATÃO, 1950) [2]
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[2] Não por acaso esta parábola tem sido tão retomada; a universalidade da preocupação do homem com suas criações lhe confere um incrível poder premonitório: " [...] pois essa vossa descoberta criará o esquecimento na alma dos estudantes, porque eles não se servirão da memória; confiarão nos caracteres escritos e exteriores e não se lembrarão de si mesmos. O específico que descobristes é um auxiliar não para a memória, porém para a reminiscência, e vós dais a vossos discípulos não a verdade, porém tão só a aparência de verdade; eles serão ouviintes de muitas coisas e nada terão aprendido; darão a impressão de ser oniscientes e, em geral, nada saberão; serão uma companhia fastidiosa com aparência de sabedoria, sem a sua realidade" (MC LUHAN, 1977a, p.49).
O incrível avanço das tecnologias de informação e comunicação (TIC) fez surgir as interpretações mais diversas sobre a significação social e cultural destas novas "máquinas de comunicar" (SCHAEFFER, 1972). Desde a "aldeia global" de Mc Luhan nos anos de 1970, muitas metáforas vêm se sucedendo na tentativa de representar ( construir uma imagem mental) os efeitos das técnicas eletrônicas de comunicação sobre os modos de produção e reprodução da vida social. Mc Luhan não apenas profetizou a realidade virtual, muito antes de ele ter sido inventada, com a idéia de "meios de comunicação como extensões dos sentidos humanso", como previu também grandes mutações na educação (MC LUHAN, 1968 e LIMA, 1971).
Ousado Mc Luhan buscou em platão uma metáfora explicativa para a grande resistência e a quase cegueira antitecnológica que caracterizavam os escritos acadêmicos da época sobre os meios de comunicação e a tecnologia em geral. Esta parábola, do texto Fedro, discute o impacto do ser humano e vem sendo retomada por muitos estudiosos para tentar explicar as preocupações presentes nas sociedades atuais com relação aos avanços da técnica em geral e das TICs em particular (MC LUHAN, 1977a; POSTMAN, 1994 e PLATÃO, 1950) [2]
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[2] Não por acaso esta parábola tem sido tão retomada; a universalidade da preocupação do homem com suas criações lhe confere um incrível poder premonitório: " [...] pois essa vossa descoberta criará o esquecimento na alma dos estudantes, porque eles não se servirão da memória; confiarão nos caracteres escritos e exteriores e não se lembrarão de si mesmos. O específico que descobristes é um auxiliar não para a memória, porém para a reminiscência, e vós dais a vossos discípulos não a verdade, porém tão só a aparência de verdade; eles serão ouviintes de muitas coisas e nada terão aprendido; darão a impressão de ser oniscientes e, em geral, nada saberão; serão uma companhia fastidiosa com aparência de sabedoria, sem a sua realidade" (MC LUHAN, 1977a, p.49).
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Fedro
Tem o saber uma legitimidade que o saber oral ou visual não poderia pretender? É nesses termos que, com freqüência, se instauram inflamadas controvérsias...Em apoio à evidência desta asserção, haveria, por exemplo, nossos sentidos que nos enganam, que tendem a nos extraviar, diante da sugestão da imagem. Esquecemos rapidamente, quando se fala deste saber cultivado ou legítimo, que a passagem histórica das civilizações da orlaidade às civilizações do escrito também provocou debates apaixonados. A diferença era que, então, o escrito fazia o papel de acusado.
1. O diálogo de Fedro e de Sócrates
A referência mais célebre desta querela se acha no diálogo entre Fedro e Sócrates que nos propõe Platão no Fedro ( c. 370 a.C.). A escrita é um pharmakon, uma droga perigosa cujos efeitos são imprevisíveis. Por quê? Simplesmente porque os homens correm o risco de perder a memória. Como não ver também que estas mensagens escritas terão aceso a uma independência, a uma autonomia? Desonectadas da intenção de seus autores, elas poderão ser lidas por qulaquer um, será possível haver contra-sensus, interpretações erradas... e Sócrates, em apoio a sua tese, contava a história do deus Thot, que vivia no Egito, na região de Naucratis, e que foi o primeiro a inventar o cálculo, a geometria, a astronomia e a escrita. Quando Thot vem apresentar o rei Thamus, deus de todo o Egito, sua maravilhosa invenção, ele a apresenta nestes termos: "Eis aqui, ó rei, um conhecimento que tornará os egípcios mais sábios, e lhes dará mais memória: memória e ciência encontraram um remédio"
Thamus, porém, contesta esta visão muito otimista. Bem ao contrário, ele adverte contra os perigos da escrita:
"Como tu és o pai da escrita,atribuis a ela, por benevolência o esquecimento nas almas daqueles que a terão adquirido, pela negligência da memória; fiando-se ao escrito, e de fora, por caracteres estrangeiros, e não de dentro, e graças ao esforço pessoal, eles se lembrarão de suas lembranças."
E Sócrates acrescenta dirigindo-se a Fedro:
"Uma vez escrito, cada discurso vai rolar por todos os lados, e passar indiferentemente por aqueles que conhecem e por aqueles que não conhecem nada disso; ele ignora a quem ele deve ou não deve se dirigir. Se vozes disordantes se fazem ouvir a seu respeito, se ele é injustamente injuriado, ele tem sempre a necessidade e o socorro de seu pai. Sozinho, com efeito, ele é incapaz de responder a um ataque e de se defender".
Notemos a posição incômoda de Platão, relatando por escrito as afirmações de Sócrates, seu mestre, que sublinha as vantagens da palavra oral contra o escrito! Estranha guinada que simboliza bem a relação complexa que mantemos com as mídias...
A oralidade é tão importante no mundo ateniense que a punição suprema consiste a recusar-se a dirigir a palavra àquele que é excluído da cidade. Em Édipo Reis, de Sófocles, o herói que busca desesperadamente o assassino de Laios, o antigo rei de Tebas, sem saber ainda a terrível verdade declara: "Quem quer que seja o culpado, eu proíbo a todos, neste país onde eu tenho o trono e o poder, que se o receba, que se fale comele, que o associe às orações e aos sacrifícios".
Sabemos, por outro lado, que a arte da retórica, que se desenvolve notadamente sob o impulso dos sofistas, propóe técnicas do discurso, exercícios destinados a ensinar a persuasão, a captar a adesão de um auditório, práticas tanto mais necessárias que uma parte da vida pública acontecia e as decisões da cidade eram tomadas em seguida aos debates. Não se trata então da reflexão que traz o escrito, da distância salutar dos argumentos sobre os quais podemos nos deter ao lermos. Certo, o grego médio provavelmente não sabia ler corretamente por falta de prática. Estima-se todavia que ele não tinha dificuldade em decifrar uma mensagem simples.
Assim, a história mostra oposições resolutas quando aparece uma nova técnica que subverte as posições dos depositários do antigo saber. O distanciamento nos permite avaliar que a oralidade não perderá nada de seu poder, de sua magia, mas que os homens descobrirão, graças a esta concorrência artificial, as especificidades da palavra oral e da escrita, e sua complementaridade, e o caráter apaixonado do debate se esvanecerá.
1. O diálogo de Fedro e de Sócrates
A referência mais célebre desta querela se acha no diálogo entre Fedro e Sócrates que nos propõe Platão no Fedro ( c. 370 a.C.). A escrita é um pharmakon, uma droga perigosa cujos efeitos são imprevisíveis. Por quê? Simplesmente porque os homens correm o risco de perder a memória. Como não ver também que estas mensagens escritas terão aceso a uma independência, a uma autonomia? Desonectadas da intenção de seus autores, elas poderão ser lidas por qulaquer um, será possível haver contra-sensus, interpretações erradas... e Sócrates, em apoio a sua tese, contava a história do deus Thot, que vivia no Egito, na região de Naucratis, e que foi o primeiro a inventar o cálculo, a geometria, a astronomia e a escrita. Quando Thot vem apresentar o rei Thamus, deus de todo o Egito, sua maravilhosa invenção, ele a apresenta nestes termos: "Eis aqui, ó rei, um conhecimento que tornará os egípcios mais sábios, e lhes dará mais memória: memória e ciência encontraram um remédio"
Thamus, porém, contesta esta visão muito otimista. Bem ao contrário, ele adverte contra os perigos da escrita:
"Como tu és o pai da escrita,atribuis a ela, por benevolência o esquecimento nas almas daqueles que a terão adquirido, pela negligência da memória; fiando-se ao escrito, e de fora, por caracteres estrangeiros, e não de dentro, e graças ao esforço pessoal, eles se lembrarão de suas lembranças."
E Sócrates acrescenta dirigindo-se a Fedro:
"Uma vez escrito, cada discurso vai rolar por todos os lados, e passar indiferentemente por aqueles que conhecem e por aqueles que não conhecem nada disso; ele ignora a quem ele deve ou não deve se dirigir. Se vozes disordantes se fazem ouvir a seu respeito, se ele é injustamente injuriado, ele tem sempre a necessidade e o socorro de seu pai. Sozinho, com efeito, ele é incapaz de responder a um ataque e de se defender".
Notemos a posição incômoda de Platão, relatando por escrito as afirmações de Sócrates, seu mestre, que sublinha as vantagens da palavra oral contra o escrito! Estranha guinada que simboliza bem a relação complexa que mantemos com as mídias...
A oralidade é tão importante no mundo ateniense que a punição suprema consiste a recusar-se a dirigir a palavra àquele que é excluído da cidade. Em Édipo Reis, de Sófocles, o herói que busca desesperadamente o assassino de Laios, o antigo rei de Tebas, sem saber ainda a terrível verdade declara: "Quem quer que seja o culpado, eu proíbo a todos, neste país onde eu tenho o trono e o poder, que se o receba, que se fale comele, que o associe às orações e aos sacrifícios".
Sabemos, por outro lado, que a arte da retórica, que se desenvolve notadamente sob o impulso dos sofistas, propóe técnicas do discurso, exercícios destinados a ensinar a persuasão, a captar a adesão de um auditório, práticas tanto mais necessárias que uma parte da vida pública acontecia e as decisões da cidade eram tomadas em seguida aos debates. Não se trata então da reflexão que traz o escrito, da distância salutar dos argumentos sobre os quais podemos nos deter ao lermos. Certo, o grego médio provavelmente não sabia ler corretamente por falta de prática. Estima-se todavia que ele não tinha dificuldade em decifrar uma mensagem simples.
Assim, a história mostra oposições resolutas quando aparece uma nova técnica que subverte as posições dos depositários do antigo saber. O distanciamento nos permite avaliar que a oralidade não perderá nada de seu poder, de sua magia, mas que os homens descobrirão, graças a esta concorrência artificial, as especificidades da palavra oral e da escrita, e sua complementaridade, e o caráter apaixonado do debate se esvanecerá.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
A matriz do saber
Iniciamos com algo questionável, queremos o sabor do saber: qual é a matriz de nossas atuações no cotidiano?
E mais: quais são as ilusões e os êxtases com as quais nos depararmos, no universo virtual de informações disponíveis e se teremos tempo para chegarmos a descobrir os véus de Maya?
E mais: quais são as ilusões e os êxtases com as quais nos depararmos, no universo virtual de informações disponíveis e se teremos tempo para chegarmos a descobrir os véus de Maya?
Será que poderemos ver a realidade com os nossos próprios olhos?
Seremos autênticos na nossa caminhada, desbravando o infinito?
Alcançaremos a nós mesmos um dia?
Conseguiremos nos atualizar plenamente?
Provisoriamente?
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